


O DIA ONLINE
http://odia.terra.com.br/rio/htm/nas_barbas_do_comandante_153643.asp
26/2/2008 01:14:00
Nas barbas do comandante Segurança irregular e gatonet cobram taxa, oferecem serviços e emitem recibo na rua do coronel que ocupa o cargo mais alto na PM, na Zona Norte. Favelas vizinhas são chefiadas por milícias
Bartolomeu Brito
"Rio - Comandante-geral da Polícia Militar, o coronel Gilson Pitta Lopes tem, a poucos metros de casa, exemplos de como será o desafio de combater o crime e a ilegalidade no estado — particularmente nas regiões com maior carência de policiamento. Na rua onde mora o comandante, na Zona Norte do Rio, um grupo vem cobrando ilegalmente, desde 2006, uma taxa de segurança aos moradores. São R$ 20 por mês pedidos em nome da associação de moradores do bairro. Além disso, o bando ainda explora uma rede de TV a cabo clandestina — ou gatonet —, cuja mensalidade é de R$ 30.
Homens com camisetas pretas com a inscrição Paz, radiotransmissor na mão, outros segurando porretes, circulam durante todo o dia por outras 10 ruas do bairro, a pé ou de carro, até as 22h. A segurança foi criada em 2006. Na ocasião, Pitta era chefe do Serviço de Inteligência da corporação (PM-2). Foram instaladas guaritas e até cancelas. Em outra via, que faz esquina com a do comandante e a duas quadras da casa de Pitta, foram colocadas três grades que limitam o acesso — sem autorização da prefeitura.
Sem citar a palavra “segurança”, panfletos explicando a cobrança são distribuídos pelas casas e prédios da região. A estratégia de divulgação porta a porta também é usada para promover a TV a cabo clandestina. O grupo fornece até recibos aos assinantes.
Sem se identificar, um morador assume que aderiu à segurança clandestina. “Eu pago. Já paguei R$ 10, R$ 15. Essa segurança cria obstáculos para a criminalidade. Antigamente, tinha muito assalto, não podíamos parar o carro na rua”, explica. “Eles fazem o trabalho direitinho, não andam armados. Botaram guarita, cancela e tudo, está satisfazendo as expectativas”, diz outro morador.
Cada um a seu modo, os vizinhos do comandante tomam providências para garantir a segurança. “Isso aqui é um inferno. Tem sempre assalto. Por isso coloquei estas grades de ferro. Não agüentava mais ser assaltado”, conta o comerciante Artur Ferreira, 64 anos, proprietário de uma padaria da rua. Ele afirma que gastou R$ 5 mil para não ser mais roubado. “Agora ninguém mais entra aqui. As compras são feitas através das grades”, relata, esclarecendo que não é adepto da segurança ilegal.
O comerciante lembra que os bandidos chegavam, pediam para ir ao banheiro e, quando voltavam, vinham de arma na mão e roubavam a féria do dia. O último assalto aconteceu depois que um entregador de pizza parou a moto, pediu para ir ao banheiro e, ao entrar, levou o dinheiro.
MAIS DE 20 CANAIS
Os moradores que vivem na mesma rua do coronel Pitta têm à disposição, por R$ 30 mensais, uma rede de TV a cabo clandestina que oferece mais de 20 canais da operadora Sky — inclusive os que são pagos à parte (pay-per-view), sem cobrança adicional.
Segundo moradores, o sistema foi inaugurado há pouco mais de um ano e, todo mês, uma pessoa bate na porta das casas para receber. “A gatonet pelo menos é uma diversão, além de ser barato. Assistimos ao futebol, filmes. Não queremos acabar com ela”, disse um morador que assina o serviço clandestino.
Procurado por O DIA, Pitta não quis comentar o assunto. Empossado em janeiro, ele ainda não se mudou para a residência oficial da corporação, em Botafogo.
Milícias dominam três favelas na vizinhança
Nos arredores da rua de Pitta, as milícias se instalaram e controlam três favelas: Fernão Cardim, Guarda e Águia de Ouro. A polícia suspeita de que os milicianos que atuam no Guarda tenham envolvimento com o grupo ilegal que age na rua de Pitta.
Em janeiro, morador do Guarda, que também participava da segurança, foi preso, acusado de matar o então presidente da Associação de Moradores de Del Castilho, José Augusto Fonseca, o Biliu.
Biliu, que estava à frente da cobrança das taxas, havia se desentendido com um suposto contraventor que vive em Del Castilho. O bicheiro mandou quebrar todas as cancelas e guaritas que foram instaladas pela associação. A polícia investiga se o morador do Guarda Anderson Luiz Carvalho agiu em conluio com o bicheiro.
Após a morte de Biliu, um outro grupo assumiu a associação e passou a ser responsável pela cobrança das taxas. Eles reajustaram a tarifa de R$ 10 para R$ 20 e ainda mudaram a camisa dos vigias — de “Apoio” para “Paz”.
Expansão na Zona Norte
Depois da Zona Oeste, onde atuam principalmente nos bairros de Jacarepaguá e Campo Grande, as milícias estão expandindo seus domínios para a Zona Norte. Os milicianos já controlam, por exemplo, todos os morros de Campinho — Fubá e São José Operário — e chegaram recentemente aos bairros de Piedade e Quintino, onde tomaram do tráfico os morros do 18 e da Caixa D’Água.
O objetivo dos grupos paramilitares agora são as comunidades do Engenho de Dentro e do Lins. O Morro Camarista Méier tem sido alvo de vários ataques dos milicianos, que também já fizeram algumas investidas no Morro do Amor, no Lins de Vasconcelos.Paralelamente às milícias, seguranças clandestinas se espalharam pelas ruas da Zona Norte. Muitas delas, como no bairro de Inhaúma, onde fica parte do Complexo do Alemão, são gradeadas e se transformaram em verdadeiros condomínios, com porteiros e vigilantes. No Méier, por exemplo, um comerciante revelou que paga R$ 100 mensais para um grupo de vigilantes.Semana passada, O DIA revelou que o bairro de Anchieta teve seis ruas fechadas com grades por grupo formado por vigilantes e ex-vigilantes. Moradores disseram pagar R$ 20 mensais.Na Tijuca, área nobre da Zona Norte, um grupo estaria cobrando R$ 30 para fazer seguranças nas ruas Rua Dr. Satamini, Professor Gabiso e Hadock Lobo.
ATENDIMENTO PIRATA
O recibo de pagamento da TV a cabo clandestina, de cor bege, traz o nome de empresa que estaria por trás do negócio, chamada Tec Sat. O panfleto traz o número de celular em caso de problemas. Por telefone, atendente esclarece as dúvidas de quem quer contratar o serviço. Além de informar que o atendimento é 24 horas, o funcionário nega que haja riscos de problemas com a polícia. A reportagem de O DIA entrou em contato com a suposta empresa:Repórter: Como é esse esquema?
Atendente: O esquema é o seguinte: você paga R$ 70 para a gente instalar. E vai pagar R$ 30 reais por mês. Esses R$ 70 dão direito a um ponto dentro da sua casa. Agora, se você quiser outro ponto, tipo colocar na sala e no quarto (...), você vai pagar R$ 30 só na instalação. E não paga mais nenhuma mensalidade.
Repórter: Quais os canais eu tenho direito?
Atendente: Você tem direito a desenho, Discovery Kids, Disney Channel...
Repórter: Qual a operadora?
Atendente: Sky (...).
Repórter: Mas se eu tiver algum problema de a polícia estourar a central e a gente ficar sem sinal?
Atendente: Ah, mas é muito difícil. É muito difícil.
Repórter: É difícil?
Atendente: É sim."
26/2/2008 01:14:00
Nas barbas do comandante Segurança irregular e gatonet cobram taxa, oferecem serviços e emitem recibo na rua do coronel que ocupa o cargo mais alto na PM, na Zona Norte. Favelas vizinhas são chefiadas por milícias
Bartolomeu Brito
"Rio - Comandante-geral da Polícia Militar, o coronel Gilson Pitta Lopes tem, a poucos metros de casa, exemplos de como será o desafio de combater o crime e a ilegalidade no estado — particularmente nas regiões com maior carência de policiamento. Na rua onde mora o comandante, na Zona Norte do Rio, um grupo vem cobrando ilegalmente, desde 2006, uma taxa de segurança aos moradores. São R$ 20 por mês pedidos em nome da associação de moradores do bairro. Além disso, o bando ainda explora uma rede de TV a cabo clandestina — ou gatonet —, cuja mensalidade é de R$ 30.
Homens com camisetas pretas com a inscrição Paz, radiotransmissor na mão, outros segurando porretes, circulam durante todo o dia por outras 10 ruas do bairro, a pé ou de carro, até as 22h. A segurança foi criada em 2006. Na ocasião, Pitta era chefe do Serviço de Inteligência da corporação (PM-2). Foram instaladas guaritas e até cancelas. Em outra via, que faz esquina com a do comandante e a duas quadras da casa de Pitta, foram colocadas três grades que limitam o acesso — sem autorização da prefeitura.
Sem citar a palavra “segurança”, panfletos explicando a cobrança são distribuídos pelas casas e prédios da região. A estratégia de divulgação porta a porta também é usada para promover a TV a cabo clandestina. O grupo fornece até recibos aos assinantes.
Sem se identificar, um morador assume que aderiu à segurança clandestina. “Eu pago. Já paguei R$ 10, R$ 15. Essa segurança cria obstáculos para a criminalidade. Antigamente, tinha muito assalto, não podíamos parar o carro na rua”, explica. “Eles fazem o trabalho direitinho, não andam armados. Botaram guarita, cancela e tudo, está satisfazendo as expectativas”, diz outro morador.
Cada um a seu modo, os vizinhos do comandante tomam providências para garantir a segurança. “Isso aqui é um inferno. Tem sempre assalto. Por isso coloquei estas grades de ferro. Não agüentava mais ser assaltado”, conta o comerciante Artur Ferreira, 64 anos, proprietário de uma padaria da rua. Ele afirma que gastou R$ 5 mil para não ser mais roubado. “Agora ninguém mais entra aqui. As compras são feitas através das grades”, relata, esclarecendo que não é adepto da segurança ilegal.
O comerciante lembra que os bandidos chegavam, pediam para ir ao banheiro e, quando voltavam, vinham de arma na mão e roubavam a féria do dia. O último assalto aconteceu depois que um entregador de pizza parou a moto, pediu para ir ao banheiro e, ao entrar, levou o dinheiro.
MAIS DE 20 CANAIS
Os moradores que vivem na mesma rua do coronel Pitta têm à disposição, por R$ 30 mensais, uma rede de TV a cabo clandestina que oferece mais de 20 canais da operadora Sky — inclusive os que são pagos à parte (pay-per-view), sem cobrança adicional.
Segundo moradores, o sistema foi inaugurado há pouco mais de um ano e, todo mês, uma pessoa bate na porta das casas para receber. “A gatonet pelo menos é uma diversão, além de ser barato. Assistimos ao futebol, filmes. Não queremos acabar com ela”, disse um morador que assina o serviço clandestino.
Procurado por O DIA, Pitta não quis comentar o assunto. Empossado em janeiro, ele ainda não se mudou para a residência oficial da corporação, em Botafogo.
Milícias dominam três favelas na vizinhança
Nos arredores da rua de Pitta, as milícias se instalaram e controlam três favelas: Fernão Cardim, Guarda e Águia de Ouro. A polícia suspeita de que os milicianos que atuam no Guarda tenham envolvimento com o grupo ilegal que age na rua de Pitta.
Em janeiro, morador do Guarda, que também participava da segurança, foi preso, acusado de matar o então presidente da Associação de Moradores de Del Castilho, José Augusto Fonseca, o Biliu.
Biliu, que estava à frente da cobrança das taxas, havia se desentendido com um suposto contraventor que vive em Del Castilho. O bicheiro mandou quebrar todas as cancelas e guaritas que foram instaladas pela associação. A polícia investiga se o morador do Guarda Anderson Luiz Carvalho agiu em conluio com o bicheiro.
Após a morte de Biliu, um outro grupo assumiu a associação e passou a ser responsável pela cobrança das taxas. Eles reajustaram a tarifa de R$ 10 para R$ 20 e ainda mudaram a camisa dos vigias — de “Apoio” para “Paz”.
Expansão na Zona Norte
Depois da Zona Oeste, onde atuam principalmente nos bairros de Jacarepaguá e Campo Grande, as milícias estão expandindo seus domínios para a Zona Norte. Os milicianos já controlam, por exemplo, todos os morros de Campinho — Fubá e São José Operário — e chegaram recentemente aos bairros de Piedade e Quintino, onde tomaram do tráfico os morros do 18 e da Caixa D’Água.
O objetivo dos grupos paramilitares agora são as comunidades do Engenho de Dentro e do Lins. O Morro Camarista Méier tem sido alvo de vários ataques dos milicianos, que também já fizeram algumas investidas no Morro do Amor, no Lins de Vasconcelos.Paralelamente às milícias, seguranças clandestinas se espalharam pelas ruas da Zona Norte. Muitas delas, como no bairro de Inhaúma, onde fica parte do Complexo do Alemão, são gradeadas e se transformaram em verdadeiros condomínios, com porteiros e vigilantes. No Méier, por exemplo, um comerciante revelou que paga R$ 100 mensais para um grupo de vigilantes.Semana passada, O DIA revelou que o bairro de Anchieta teve seis ruas fechadas com grades por grupo formado por vigilantes e ex-vigilantes. Moradores disseram pagar R$ 20 mensais.Na Tijuca, área nobre da Zona Norte, um grupo estaria cobrando R$ 30 para fazer seguranças nas ruas Rua Dr. Satamini, Professor Gabiso e Hadock Lobo.
ATENDIMENTO PIRATA
O recibo de pagamento da TV a cabo clandestina, de cor bege, traz o nome de empresa que estaria por trás do negócio, chamada Tec Sat. O panfleto traz o número de celular em caso de problemas. Por telefone, atendente esclarece as dúvidas de quem quer contratar o serviço. Além de informar que o atendimento é 24 horas, o funcionário nega que haja riscos de problemas com a polícia. A reportagem de O DIA entrou em contato com a suposta empresa:Repórter: Como é esse esquema?
Atendente: O esquema é o seguinte: você paga R$ 70 para a gente instalar. E vai pagar R$ 30 reais por mês. Esses R$ 70 dão direito a um ponto dentro da sua casa. Agora, se você quiser outro ponto, tipo colocar na sala e no quarto (...), você vai pagar R$ 30 só na instalação. E não paga mais nenhuma mensalidade.
Repórter: Quais os canais eu tenho direito?
Atendente: Você tem direito a desenho, Discovery Kids, Disney Channel...
Repórter: Qual a operadora?
Atendente: Sky (...).
Repórter: Mas se eu tiver algum problema de a polícia estourar a central e a gente ficar sem sinal?
Atendente: Ah, mas é muito difícil. É muito difícil.
Repórter: É difícil?
Atendente: É sim."
Interessante, o custo mensal da gatonet é maior do que o que ganha um Policial Militar por dia para arriscar a vida nas ruas do Rio de Janeiro para defender a sociedade fluminense.
A única saída é a POLÍCIA CIDADÃ, FORMADA POR CIDADÃOS!
JUNTOS SOMOS FORTES!
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
CIDADÃO BRASILEIRO PLENO
