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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

VERDADE, HONRA, VERGONHA - MARIA LUCIA VICTOR BARBOSA.

VERDADE, HONRA, VERGONHA
Maria Lucia Victor Barbosa
28/01/2009

Nosso relativismo moral vem de longe. É obra cumulativa de séculos. A acachapante aprovação nacional de Lula da Silva, sem contar com sua eleição e reeleição, demonstra que já chegamos aos píncaros das conseqüências históricas com requintes de caos. E diante do que se passa na atualidade, lembremos de Gregório de Matos e Guerra (1636-1696) advogado e poeta, alcunhado Boca do Inferno ou Boca de Brasa. Em Epílogos, ele retrata a paisagem moral de Salvador, Bahia, nossa capital na época colonial. Mudando a palavra cidade para país, teremos a paisagem moral atual em alguns dos versos do poeta:

“Que falta neste pais? Verdade.
Que mais por sua desonra? Honra.
Falta mais que se lhe ponha? Vergonha”.

“O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama o exalte,
Num país onde falta
Verdade, honra, vergonha”.

Nunca nos faltou tanto verdade, honra, vergonha. Convivemos alegremente com “mensaleiros”, sanguessugas, transportadores de dólares em cuecas e até os reelegemos. Somos antiamericanistas doentes, mas volta e meia vamos aos Estados Unidos para fazer turismo, comprar, estudar, trabalhar, cuidar da saúde, além dos milhões de brasileiros que partem em busca da América, América e lá permanecem clandestinos, mas ganhando o que jamais ganhariam aqui. Odiamos os judeus porque preferimos o Hamas dos Palestinos. Como bons latino-americanos somos de esquerda e por isso idolatramos Fidel Castro, não importando ser ele um ditador implacável que nunca respeitou os direitos humanos. Se Lula da Silva, o grande pai de seu povo, põe o Brasil de joelhos diante de Hugo Chávez, Evo Morales, Rafael Correa, Fernando Lugo, Cristina Kirchner, nos inclinamos também perante as lideranças populistas que infestam a América Latina sempre imersa em sua mentalidade do atraso, em suas mazelas, em seus fracassos. A corrupção faz parte de nossa história e aprovamos governos corruptos ao dizer que se estivéssemos lá faríamos as mesmas coisas. Afinal, somos espertos, malandros e nossa satisfação em passar os outros para trás não tem limites. Indiferentes ou ignorando o que ocorre no Congresso Nacional ou no âmbito da Justiça seguimos cantando o samba de Zeca Pagodinho que nosso presidente da República tanto aprecia: “Deixa a vida me levar”. Futebol, carnaval e Big Brother são nosso alimento espiritual. Acreditamos que o MST é um movimento social pacífico que não esbulha proprietários rurais destruindo maquinário, roubando gado, pilhando, queimando sedes de fazendas. Do mesmo modo admiramos as sanguinárias Farcs, idealizadas como heróicas e defensoras do povo colombiano.
No momento dois fatos empolgam os noticiários. O primeiro diz respeito ao caso do terrorista Cesare Battisti, que a Itália quer de volta, mas que já foi perdoado por nosso ministro da Justiça com o acordo de Lula da Silva. Não devolveremos Battisti de jeito nenhum, o criminoso é nosso. Também estamos de braços abertos para receber os terroristas de Guantánamo. Aplausos para a Justiça brasileira, pois aqui o crime compensa. Do jeito que a coisa vai, pode ser que Lula da Silva crie o Ministério do Terrorismo e convide Osama Bin Laden para ministro. Seria mais uma vez delirantemente aplaudido pelo povo e seu prestígio subiria como atestado em pesquisa.
O segundo fato é relativo ao Fórum Social Mundial, que ocorre em Belém do Pará. O governo investiu milhões na festividade, inclusive, em camisinhas. Tudo pago com o dinheiro do contribuinte, ou seja, estamos financiando a esbórnia que atrai pessoas de todo o Brasil e do exterior. Presentes ao festival estarão Lula da Silva, ministros, assessores, figuras como João Pedro Stédile, além dos caudilhos Hugo Chávez, Evo Morales, Rafael Correa. Fernando Lugo, que fazem Lula sonhar com outro mandato possível. Lula não irá ao Fórum Econômico Mundial em Davos. Ficará em Belém dançando o Carimbó.
Aliás, não faltarão ao carnavalesco evento, além das camisinhas, muita cachaça e folia. Naturalmente, os participantes se posicionarão contra o capitalismo que os sustenta, contra a liberdade que permite a festividade, contra a riqueza que almejam para si. Dizem que no globalizado Fórum será dada oportunidade aos participantes, se os eflúvios etílicos permitirem, de perceberem que os problemas que assolam o mundo derivam da competição pelo poder e do acúmulo de bens materiais. Ou seja, tudo que eles mesmos fazem ou almejam. Em suas utopias delirantes as esquerdas clamarão pela volta do socialismo, nem que seja o do século XXI. E enquanto a crise avança sobre o planeta, em Belém do Pará se dançará o Carimbó, pois o tal outro mundo possível nunca foi definido nesses fóruns onde acontece de tudo, menos idéias.
Sem dúvida, esse "Fórum Socialista" faz recordar as proféticas palavras de Ortega y Gasset em A Rebelião das Massas: “A vida toda se contrairá. A atual abundância de possibilidades se converterá em efetiva míngua, escassez, em impotência angustiante, em verdadeira decadência. Porque a rebelião das massas é a mesma coisa que Rathenau chamava de ‘a invasão vertical dos bárbaros”.
No Brasil essa invasão começou faz tempo, mas diante dela nos quedamos indiferentes porque nos falta verdade, honra e vergonha ou, talvez, porque sejamos nós os bárbaros.
Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
mlucia@sercomtel.com.br
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA

sábado, 14 de fevereiro de 2009

OBA, OBA, OBAMA - MARIA LÚCIA VICTOR BARBOSA

OBA, OBA, OBAMA
Maria Lucia Victor Barbosa
07/11/2008

Nesse momento difícil de sua economia, os norte-americanos ouviram de Barack Houssein Obama o discurso que os fez sonhar novamente sonhos de prosperidade, apesar do candidato não apresentar propostas consistentes no sentido de resolver os enormes desafios que o país apresenta. E diante do descontentamento popular com relação ao presidente Bush, a palavra mudança, prometida várias vezes pelo democrata, soou como esperança.
Obama conquistou principalmente os negros, os hispânicos, as mulheres, os jovens, sendo que o crescimento urbano e da imigração foram também fatores que favoreceram sua eleição. O democrata atraiu, inclusive, parcelas de eleitores mais conservadores e, por isso, disse um de seus eleitores ilustres, Colin Powell, ex-secretário de Estado dos EUA: “O que Obama fez foi incluir todos através de linhas raciais, culturais, religiosas e de geração”.
A capacidade de incluir tantos setores da sociedade se deveu em parte ao discurso sem tom racial, em que pese 95% dos negros terem votaram em Obama. Na verdade, o que o presidente eleito fará pelos negros, principalmente os mais pobres, ainda não se sabe. Mas, sem dúvida, o mulato que chegou ao poder mais alto da Nação encarna a revanche de um passado de segregação que no presente se traduz por um racismo às avessas: o ódio dos negros aos brancos.
Barack Obama provocou emoção em todo mundo. A Europa, que achava que o poder dos Estados Unidos definhava diante da ascensão econômica da China, da Rússia e da Índia ficou deslumbrada e tranqüilizada diante da possibilidade de reforço do poder da pátria da democracia.
Na América Latina, inclusive no Brasil, além do teor emocional ligado à cor da pele do candidato, a “obamamania” teve caráter ideológico. Acredita-se que Obama seja comunista. Nesse sentido é emblemático que o historiador Joel Rufino dos Santos relembre Marx e sonhe utopicamente com um comunismo norte-americano: “Acho que o velho (filósofo e teórico do comunismo Karl) Marx de vez em quando deve ser lembrado. Ali (Estados Unidos) é onde pode ter um socialismo realmente democrático. Porque a economia é mais desenvolvida e o povo tem mais tradição de respeito ao outro”. (Folha de S. Paulo. 6/11/2008). Certamente o historiador não se lembra do fato de que as idéias de Marx postas em prática geraram aberrações totalitárias que nivelaram por baixo na opressão e na miséria.
Em todo caso, foi impressionante como a eleição de Obama fez desaparecer como num passe de mágica em todo mundo e, sobretudo, na América Latina, o feroz e odiento antiamericanismo que culpa os Estados Unidos por todas as nossas mazelas e fracassos. Agora se espera uma nova ordem mundial, uma nova era e mesmo antes da posse Obama já é visto como presidente de fato do qual se aguarda mudanças rápidas
Na América do Sul o oba, oba Obama se alastrou por todos os países. Mesmo Hugo Chávez, o criador do nebuloso Socialismo do século XXI, que não consegue discursar sem atacar violentamente os Estados Unidos, e seus companheiros do “Eixinho do Mal”, Evo Morales e Rafael Correa, pareciam deslumbrados com a eleição “de um afro-descendente para a cabeça da nação mais poderosa do Mundo”. Enquanto isso, Lula da Silva, se revestindo de grande líder latino-americano e mundial mandava seus pedidos para Papai Noel Obama: uma política mais ativa em relação à América Latina, o fim do embargo norte-americano a Cuba e a resolução do conflito do Oriente Médio.
Barack Hussein Obama, que terá imensos obstáculos pela frente, é um homem de esquerda, ou seja, um liberal conforme entendem os norte-americanos. Forçosamente, dada a situação em que o país se encontra, terá que ampliar um pouco o poder do Estado, algo que não é da tradição norte-americana. Ele prometeu coisas como apoiar uma lei federal que facilitará a sindicalização dos trabalhadores e quer ampliar também através da legislação, a cobertura de saúde para 50 milhões de americanos que ainda não dispõe disto. Contudo, não se sabe como ele se comportará diante da Rússia, da China, do Irã, da esquerda latino-americana. Mas pelo menos em seu discurso de posse ele mandou recados eloqüentes para o mundo:
Avisou que: “o caminho será longo. Nossa subida íngreme. Nós talvez não cheguemos lá em um ano ou mesmo em um mandato”. Mas reafirmou aquele espírito norte-americano que passa bem longe da mentalidade brasileira:
“Àqueles que querem destruir o nosso mundo: nós os derrotaremos. Áqueles que buscam paz e segurança: nós os apoiaremos. E a todos que vêm se perguntando se o farol da América ainda brilha como antes: nesta noite nós provamos mais uma vez que a verdadeira força da nossa nação não vem da bravura das nossas armas ou do tamanho da nossa riqueza, mas do poder duradouro de nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e inabalável esperança”. Ao final do discurso, Obama repetiu seu refrão e a multidão bradou com ele: “Sim, nós podemos”.
Os obstáculos do novo presidente são tão grandes quanto as expectativas que se criaram em torno dele e só o tempo dirá o que pode acontecer nos Estados Unidos e no mundo. Afinal, políticos costumam ser metamorfoses ambulantes.

MARIA LUCIA VICTOR BARBOSA é socióloga.
mlucia@sercomtel.com.br
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA